Pessoa (2018)

Pessoa,
avanças, passo a passo,
de alma boa,
do paganismo
à ausência do fracasso,
ainda que patriotismo
não compreenda
o teu sagrado paganismo.
Há quem te entenda,
ao desfazeres
todo o cristismo
e renasceres
no opiado
heroísmo
de uma trindade de seres.

O mestre! Messias,
instrutor de futuro crucificado,
desces à terra triunfal,
como que por musas enviado
para espalhar a criança divinal:
O paganismo ressuscitado!
Tão simples, um bravo mundo,
filósofo campestre,
de um neurótico rebanho
foste aquele tão alegre mestre...

Um sereno doutor...
Bebe, cala, vagaroso,
não vivas no êxtase do amor,
como um Baco de odor vergonhoso,
pois o fim te dá pavor.
O que é forte,
emoção e humano calor,
não evita morte.
Vive, meu grego, calmo no horror


Comentários