Gritos por Eros

Quem fez os anjos 
humanos? Os anjos, quem os 
fez pássaros, de túnica antiga
fardados como o Cúpido? Ah, qual 
Cúpido? Arre, que Cúpido é este
que nos roubou Eros?!

O Eros de Afrodite é o 
Eros de Afrodite; afronta do Cúpido 
de Vénus faz-me arder a alma 
na fúria do amor! Oh, jovem Eros, 
que te fizeram a ti também
um anjo de arco e flecha... 
Arre, que eras tanto mais! Do amor
de Medeia à usurpação do
título à matriarca da paixão, nada 
é superado pelo anunciar 
do semi-Deus!

O saque aos Gregos foi
o saque ao amor, que é 
agora de Deus e para Deus! Irra, 
que caem os templos pelas igrejas 
e o Cúpido, ex-Eros, vende-se 
nas ruas, perdido de sua mãe
em esquinas e cantos das cidades 
expondo a vergonha da Oração! As 
capelas são bordéis! Eros, sem túnica, 
martiriza-se para o Céu em 
saudade imortal de Olimpo! Vénus, 
nos braços de Ares (Hefesto 
vinga-se do abandono terreno com a 
feroz demanda do vapor e do ferro!) grita 
do bolorento Hades maldições ao Todo-Poderoso
que destronou Zeus que,
no seu avatar de Júpiter
se sentava à mesa do Imperador!

De alado guerreiro a servo! Eros,
feito meretriz, ruge por nós! Livre da 
Cruz, despegado do Capital, 
voa livre, armado e forte, Eros 
antigo e tão jovem!



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