I
Porque vivem as pessoas como as pedras da calçada? Espezinhadas, sofrem para dar lugar aos outros, àqueles que consolidam o poder de lhes pisar e ainda receber a sua admiração... A pedra vai buscar à sola do sapato a visão de um mundo deitado fora...
II
Porque morrem as correntes, caem as folhas e desvanecem os raios de Sol nos horizontes? A finitude do gosto de um doce, o fecho imediato e iminente do carrossel daquele sabor faz-nos saber a sua perda de valor. O que foi prazer torna-se pasta, muco, ácido, merda...
III
O bolor no canto das paredes, a podridão os templos uma vez magníficos, a pobreza das mais ricas e ancestrais casas. O seu 'ser' é o ter sido. A condição é nostalgia, é derreter no sentido dos ponteiros do relógio, é manter-se pela memória. Até o nada desaparece com a ida da mente...
IV
Pátrias para quê? Mais jaulas decoradas de desgaste? Para quê paredes imaginárias na histeria ferida das multidões? Um desenho num estandarte lançado contra um outro rabisco... É paixão que acaba em excremento... O nojo levará tudo para terra. A salvação é dos ingénuos de oração já decorada.
V
O banquete dos masturbados resiste (pensam eles, tão cegos ao facto de estarem já a nadar na sua bílis inflamável) e vão gritando as suas rugas e bengalas... Nos seus olhos saudosos, arde o cego esquecimento do nada: negado o fútil, surge fogo santo. Ó, os fachos nadam nesta decadência!
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