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o homem está seco de poesia
resplandecer do sexo  o ressuscitar 
do eixo  da sua grande alegria  oh
uma rima cancelada  um gritar encarnado
não há métrica encontrada   há o descarado 
poeta o pulha  o aldrabão  que vai aos poucos
pelas ruas  elimina a escuridão parvoíce 
este fugido da razão  anda à caça de bolo
quer roubar-me a nação isto está mau

nadam pelo mar carpas  o mar é rio
o rio é vida  tudo seco  tudo homem  tudo poesia
tudo nonsense conhecido desta gente
são delinquentes  sem pontuação  sem pontualidade
são agentes da poesia  sem ação  que tristeza
o homem seco ainda  o rato rói-lhe as rodas dentadas 
o relógio deixa de funcionar 
e forma-se assim mais um verso  coisa rica esta poesia
sem ponta por onde se lhe pegue

anda em círculos em volta da água 
a carruagem do poeta  que é seco rio de homem 
seco de poesia e sexo escancarado sem vergonha
que falta de educação  os círculos não têm ponta 
impossível pegar no poema 
advém daí também a falta de sinais  o leitor que leia 
como quer  que não se servem versos fáceis
nunca aprendeu a beber 
mesmo com todos os copos de água à frente 
que se descolaram pé ante pé à sua boca
que poeta é este  privado de versos  na avenida dos ratos do modernismo

difícil é a meditação  fazer poesia disto
que raio de motivação  versos duplos nas mãos de cristo
que coisa é de escrever  que gente esta de ler 
o homem seco ainda sofre  sem saber abrir o cofre
vai ficar e vai morrer  não vai gritar e vai beber 
dá-lhe o copo e verás os lábios  verás caneta nas mãos do sábio
o homem seca ao sol de inverno e com ele vão os versos

acende um cigarro  bebe um café 
vai andando ao carrasco  ora tem cabeça
ora lhe fica pelos pés  vai cair de um penhasco
de uma avenida qualquer  foi o homem sonhar
que é que o poeta criar  é o que o poeta quer
este bebe café  é simples e moderado 
não sabe estar de pé  o seu verso desencantado

à volta da rima vai ele  à volta de tudo
que poema  é este  que alma o fez 

este pastiche absurdo da alma do rato
e dos braços deitados na areia  

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